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Um Passeio pela História das Patentes
Teresa Riordan (NYTimes, 29-09-2003)

Será que um passeio teórico pela exibição Palácio de Cristal em Londres em 1851 – onde milhares de invenções de vários países do mundo foram expostas – nos esclarece algo sobre a natureza da inovação nos dias de hoje?

Petra Moser, professora assistente do Instituto de Tecnologia da Escola de Administração Sloan em Massachusetts, realizou este passeio – na forma de uma tese de Doutorado – e chegou a conclusões surpreendentes que está atraindo a atenção de colegas. A Associação de História Econômica premiou sua dissertação durante sua reunião anual ocorrida neste mês.

Nesta sexta ela dará um seminário sobre sua pesquisa no College Park da Universidade de Maryland.

Uma das conclusões da Professora Moser é que países em desenvolvimento como a Índia, que está se preparando para total aquiescência ao tratado internacional de patentes em 2005, estariam melhores sem fortes leis de patente.

O pensamento comum entre economistas é que um sistema de patentes robusto ajudou a transformar os Estados Unidos em uma potência econômica. Pode até ser verdade. Mas, a Professora Moser conclui, o que foi bom para a América no século XIX não é necessariamente bom para economias emergentes, amplamente rurais em países com a Dinamarca, a Holanda e a Suíça.

“Em economia, somos ensinados que as leis de patente criam incentivos para a inovação”, ela disse. “Mas muitas das melhores invenções de alta tecnologia de cada momento histórico vieram de alguns dos menores países da Europa, e essas nações não tinham tais leis”.

Doutora Moser encontrou, por exemplo, que os inventores Suíços concentraram seus esforços na confecção de relógios e peças de aço para instrumentos científicos e óticos. Suas inovações eram de extrema dificuldade para serem desmontadas e compreendidas, portanto foram guardadas como segredos de mercado com muito sucesso.

“Havia competições na Inglaterra para reproduzir algumas inovações Suíças no aço”, Doutora Moser contou. “Mas os Ingleses não conseguiam descobrir como as imitar. Os suíços teriam sido estúpidos se tivessem patenteado tais invenções”.

Isto porque o propósito das patentes tem duas faces: proteger o inventor e acelerar o progresso tecnológico. Assim, as leis de patente requerem que o inventor, numa troca justa pelo monopólio que a patente proporciona, apresenta seus métodos para outros. “Países sem leis de patente têm uma quantidade muito maior de trocas de inovações e, para eles, patentear seria uma má idéia", disse a Professora Moser.

O inventor Francês Hippolyte Mège-Mouriez, que inventou a margarina em 1870, corajosamente apresentou sua invenção a dois empreendedores Holandeses. O Sr. Mège-Mouriez, de posse da patente, sentiu-se confidente sobre a proteção de sua invenção. Os empresários tomaram as idéias do Francês, as melhoraram (mantendo seus aperfeiçoamentos em segredo) e estabeleceram um próspero negócio que no século XX transformou-se no conglomerado multinacional Unilever. O Sr. Mège-Mouriez morreu pobre.

A Porfessora Moser desenvolveu sua tese a partir dos trabalhos de Jacob Schmookler and Kenneth Sokoloff, ambos usaram registros de patentes do século XIX para relacionar taxas de invenção com a demanda de mercado.

Mas seu material de estudo não eram patentes, já que vários inventos pesquisados não foram patenteados. Ao invés, ela analisou os catálogos de exibição da Exibição Palácio de Cristal e a exibição do Século na Filadélfia em 1876.

A idéia de usar dos dados da exibição para examinar essa idéia empiricamente foi excepcionalmente criativa, e a análise foi muito bem executada”, disse Sokolof, Professor de economia na Universidade da Califórnia em Los Angeles. “Petra merece todos elogios.”

Por cerca de duas horas diárias durante os quatro anos do Doutorado em economia na Universidade da California em Berkeley, a Professora Moser catalogou 33.000 invenções exibidas no século XIX.

A exposição Palácio de Cristal foi a primeira de um série de feiras mundiais onde os países mostravam suas mais modernas tecnologias. Mais de 6 milhões de pessoas visitaram a Palácio de Cristal, e quase 10 milhões foram à Exibição do Século.

Dados de exibições são particularmente úteis para estudar os efeitos das leis de patente na inovação porque eles medem invenções úteis ecomomicamente de um modo independente das leis de patente”, disse a Professora Moser. “Países sem leis de patentes se saíram muito bem.”

Então qual é a lição para nações como o Brasil, a Chinam, a Índia e outros países que estão sendo pressionados pelas nações industrializadas a criar um forte sistema de patentes?

“Nós tentamos forçar leis de patente aos países em desenvolvimento e dizemos, Istoé o melhor para vocês”, ela falou. “Depois ficamos surpresos quando eles dizem que não querem essas leis. Mas eles têm um argumento: tais leis na verdade podem desestimular a inovação nestes países”.


TERESA RIORDAN
Teresa Riordan writes the "Patents" column in The New York Times business section, reporting on many interesting or offbeat-innovations. After an undergraduate journalism degree at the University of Kansas, she became a speech writer for U.S. Sen. Ernest Hollings. As his liaison to the now-defunct Office of Technology Assessment, Riordan gained insight to the process of technological innovation and its controversial roles in society. She went on to get a master's in American civilization from the University of Texas. Shortly afterward she began writing the Times column in 1993 and later added a similar column for ABCNews.com. Riordan is completing a book on inventions aimed at women, Re-Inventing Eve. During the fellowship, she plans to focus on the history of technology and the relationship between gender and technology. Other interests include swimming, yoga and button collecting.