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vozes da revolução digital

Harry Potter e os Prisioneiros
da Transição para a TV Digital

Uma Aventura em Política de Telecomunicações
(com desculpas a J.K. Rowling)

por Mike Goodwin
Conselheiro Superior de Tenologia
Public Knowledge

"Com a Internet nós temos a oportunidade de distribuir de graça para milhões de pessoas - a Internet é uma oportunidade extraordinária, e mesmo assim grande parte da comunidade de conteúdo, a comunidade de radiodifusão e a comunidade do status quo estão organizadas para prevenir a Internet de ser o canal de distribuição? Eu espero que as pessoas voltem ao Congresso algum dia com um modelo sobre como usar a Internet em vez de brigar contra ela".

Deputado Christopher Cox (R-CA), da comissão de comércio da Casa,
durante Sessão sobre Transição para Televisão Digital,
25 de setembro de 2002.

 

No romance infantil HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN, o jovem estudante de magia Harry Potter é chamado para lutar com a horda de criaturas assustadoras chamadas Dementors que o persegue. Encurtando uma longa e bem escrita história, uma versão futura de Harry aparece de repente com sua varinha mágica e recita o feitiço "Expecto Petronum"! Assim o Harry do Futuro consegue espantar os Dementors e protege o Harry do presente.

A transição de televisão analógica para televisão digital (DTV), agora uma parte endeusada da política de radiodifusão americana, encara seu próprio grupo de Dementors--uma horda assustadora de problemas técnicos, legais, econômicos, e sociais. Juntos, os problemas parecem tão insuperáveis quanto qualquer multidão de monstros assustadores, mas o que piora as coisas é que muitas facções de acionistas estão em guerra entre si sobre assuntos como mandatos de tecnologia, proteção aos direitos autorais, uso justo, e assim por diante.

Mas e se pudéssemos de alguma maneira olhar do futuro para o presente e problemático debate, usar nossas próprias varinhas e fazer o feitiço que magicamente derrota os problemas que atormentam a transição para DTV? Tal magia, claro, está além das habilidades de meros "trouxas" como nós, mas é possível olhar a partir do futuro que temos imaginado há muito tempo--um futuro no qual vários aparelhos eletrônicos e tecnologias de informação convergiram, e a banda larga da Internet chega a todas casas--e mostrar nossa própria versão de uma solução mágica.

Porém, temos que começar com uma pesquisa geral dos problemas que cada grupo de acionistas acredita ser o centro da transição para DTV. Enquanto alguns defendem premissas ou um ponto ou outro sobre cada um destes problemas, este artigo trata todos supostos problemas primários dos acionistas combatentes como afirmações essencialmente válidas, mas também sugere que possa haver uma solução tipo 'ganho-ganho' para todos os jogadores principais, especialmente os consumidores.

I. Problemas para a indústria de produção de conteúdo

II. Problemas para a idústria de hardware, software e Internet

III. Problemas para o Congresso

IV. Problemas da indústria eletrônica

V. Problemas para Consumidores

VI. Problemas para as emissoras

VII. O que é o jeito Harry Potter?

VIII. Quais são as Vantagens dos Feitiços de Harry?

IX. Como os consumidores se beneficiam?

X. E o setor de Tecnologia da Informação?

XI. E o que as emissoras ganham?

XII. Qual a grande vantagem para o Congresso?

 

I. Problemas para a indústria de produção de conteúdo.

Os estúdios de cinema, cadeias nacionais de rádio e TV, e outras companhias que produzem, publicam ou distribuem conteúdo estão particularmente preocupados porque a DTV permitirá aos espectadores gravar e difundir todo conteúdo de alta qualidade, talvez recirculando-o através da Internet ou outras mídias. O argumento deles é que conteúdo digital difundido abertamente pode ser facilmente adquirido na forma de alta qualidade, e, como conteúdo desprotegido, pode ser facilmente espalhado pela Internet. Este fenômeno que alguns produtores chamaram de "Napsterização" de conteúdo de rádio e TV, poderia minar o valor da renda de conteúdo de alta qualidade que de outra forma poderia ser revendido às rádios e TVs locais através de cadeia nacional ou relançado como fitas VHS ou DVD para venda ou aluguel. Aqui a teoria é direta: se os espectadores podem pegar episódios de alta qualidade de, por exemplo, "Law & Order" da Internet, tais espectadores já não seriam parte da audiência para reprise ou episódios em cadeia (minando assim o valor da publicidade durante reprises ou radiodifusão em cadeia).

Além disso, tal redistribuição pode até mesmo diminuir as vendas da programação televisiva passível de virar DVD, atualmente o sistema digital de alta qualidade preferido pelo consumidor Americano. A preocupação das companhias é que se os espectadores puderem gravar os programas de TV em casa com a mesma qualidade ou melhor que a versão DVD, eles redistribuirão a programação entre eles e não terão nenhuma motivação para comprar aquele DVD.

Vantagem para emissoras--parte de uma solução atualmente defendida pela maioria das companhias--seria 'marcar' todo o conteúdo comercial que precisa ser controlado (por exemplo, com a bandeira da emissora ou uma 'marca d'água'). Esta 'marcação' deveria ser acompanhada de um mandato legal ou regulamentário exigindo que algum aparelho do equipamento do consumidor seja projetado para procurar a marca, e então abri-lo (ou recusar-se) de modo pré determinado.

Mas o segundo maior problema das emissoras tem sido o que alguns tecnologistas argumentam: que uma 'leitura de marca' cria um problema imenso --exige uma nova infra-estrutura de regulamentação para impor que uma variedade nunca tão ampla de tecnologias procurem pela marca. Isto demanda uma padronização governamental nas tecnologias marcadoras, seja bandeira ou marca d'água. Também, requer a reestruturação de grandes setores de TI (NT: Tecnologia da Informação), eletrônicos individuais, e campos de comunicações. (Alguns setores industriais, especialmente aqueles que produzem equipamento para manipulação digital, como também novos tipos de sistemas de gravação de vídeo como TiVo, poderiam ser lançados ao lixo pelo custo de sua adaptação, e pelos limites de desenvolvimento de novos produtos. No mínimo, a marcação requer a reengenharia de grandes linhas de produção.)

Claro que esta solução não pode funcionar sem regulamento governamental e fiscalização. Fabricantes (possivelmente no exterior) teriam pouco incentivo para carregar dispositivos digitais com as características técnicas necessárias para se adaptar às regras da marcação. Seriam precisos regulamentos de importação para prevenir a entrada de dispositivos estrangeiros não adaptados, e os funcionários de alfândegas estariam na posição de ter que determinar se os componentes importados estão adaptados ou não, por exemplo.

Além disso, a vantagem proposta pelas emissoras também requer novos regulamentos para controlar tecnologias de conversão analógica para digital e vice-versa--tecnologias que são atualmente onipresentes e baratas, mas que, porque ignoram ou até mesmo eliminam a bandeira da emissora ou outros tipos de marcas colocados em conteúdo digital, formam parte do que é chamado de "o buraco analógico". Mas o controle destas tecnologias de conversão pode deixá-las mais caras e menos funcionais. Pior, pode adicionar custos escondidos e inesperados para dispositivos tradicionalmente não considerados como jurisdição da FCC (por exemplo, ferramentas de observação astronômica e certos tipos de monitores médicos). (NT: FCC, Federal Communications Commission - a Agência Nacional de Comunicações dos EUA).

Não obstante, a solução de 'marcação e regulamento' é defendida por muitos setores da indústria de conteúdo. Mas esta proposta aos problemas de conteúdo põe a indústria em conflito com alguns setores da indústria de TI, com a indústria de aparelhos eletrônicos (NT: em Inglês: CE - Consumer Eletronics), e com os consumidores. Isto levou a uma guerra de trincheira na legislatura, nos tribunais, e na opinião pública. Até agora, não houve nenhuma vitória clara para qualquer facção de contendores.

Mas a indústria acredita que precisa de uma solução urgente para o problema de seu conteúdo mais importante ser facilmente traduzido e distribuído pela Internet. Companhias de conteúdo atualmente contam com os vários modos de recapagem e revenda de seu conteúdo principal para recuperar o investimento e os custos de produção. Como foi dito acima, estes incluem reprodução em cadeia e novas edições em VHS e DVD para o varejo. Estes rios de renda atualmente são o principal subsídio da produção de conteúdo novo nos mundos do cinema e da televisão. Eles estão pressionados contra a parede, e têm que usar toda estratégia para recuperar controle de seu conteúdo num mundo digital. Acreditam que a atual queda nas vendas de música reflete o que enfrentaria as produtoras de filme e televisão se controles não forem colocados o mais breve possível.

II. Problemas para a idústria de hardware, software e Internet.

Companhias de TI também estão enfrentando quedas nas vendas em muitos setores, e por isso também avaliam intensamente a possibilidade dos consumidores rejeitarem seus novos produtos por serem mais limitados que os mais velhos no modo como eles lêem conteúdo comercial e conteúdo gerado pelo usuário. Em particular, os dirigentes das indústrias de computador e de software tomam como certo que os consumidores destes mercados esperam maior e melhor funcionalidade de ambos os setores em um prazo relativamente pequeno. Não está claro como os consumidores receberão aparelhos novos que, embora mais rápidos, têm menos funcionalidade que os velhos. Algumas respostas temerosas: "Todo ciclo que meu computador gasta para conferir se eu estou fazendo uma cópia sem autorização é um ciclo que eu não estou usando em meu trabalho"! "Por que eu não posso transportar minhas imagens digitais de um para outro entre meu computador e minha camêra digital?" "Este computador toma muito mais tempo para carregar arquivos de mídia que o meu velho", e assim por diante.

Mais, o esquema de regulamentação preferido pelos produtores de conteúdo tornarão muitos tipos de software e hardware "não modificáveis" quer dizer, difícil de serem ajustados, ou "fechados". O problema é que as "plataformas abertas" como o PC (NT: Personal Computer - computador pessoal) e a Internet, têm incentivado a inovação exatamente por causa de sua abertura. Tal inovação inclui a Internet como nós a conhecemos, a World Wide Web (Grande Rede Mundial), Linux e outros softwares de fonte aberta, além de browsers gráficos. Não menos importante, o rápido desenvolvimento deste setor também conduziu a tecnologias que tornaram a geração de conteúdo, como filmagem e gravação de músicas, muito mais barata e acessível do que no passado.

O problema da GNU/Linux é particularmente grave--enquanto sistemas operacionais baseados no Linux são amplamente considerados um dos poucos competidores sérios da Microsoft no mercado, uma exigência de que os jogos de mídia baseados no Linux chequem "conteúdo marcado" e sejam "não modificáveis" iria, com efeito, banir as versões Linux de tais produtos. (Programas Linux são acompanhados pelo seu "código de fonte" quando distribuídos, ou então são simplesmente distribuídos como código de fonte, o que significa que eles são inerentemente abertos e modificáveis).

Mas suponha que o esquema, reconhecendo o valor competitivo de Linux e outros softwares de fonte aberta, abrisse uma exceção da exigência da não modificação. Não iria apenas aparecer um grande buraco no esquema proposto, mas poria companhias de software em desvantajosa competição com Linux no mercado (desde que os programas baseados no Linux pudessem ser modificados por qualquer programador para aumentar a funcionalidade ou remover proteções aos conteúdos).

De fato, a "exigência de não modificação" cria um dilema - ou deixa os software abertos em desvantagem permanente (e talvez aumente o domínio de mercado da Microsoft) ou então dificulta os proprietários de software, inclusive a Microsoft (e promove o Linux por causa da política industrial).

Para as companhias de Internet, qualquer obrigação de regulação para monitorar conteúdo registrado significa redesenho significativo da Internet do jeito que ela nasceu e cresceu há mais de três décadas. Parte do problema da "Napsterização" (veja Seção I acima) de enorme quantidade de cópias sem licença não é somente que esta prática está difundida entre indivíduos, ou que o número de colegas que compartilham arquivos está crescendo--é que o próprio compartilhar é intrinsecamente parte do desenho fundamental da Internet. (a Internet foi especificamente projetada para permitir o compartilhar de dados e outros recursos entre computadores numa cadeia descentralizada e distribuída. Arquivos de música digital, exemplo óbvio, podem ser considerados apenas mais um tipo de dados.)

Dificultar o caráter de ligação entre pessoas que é fundamental na Internet é um problema mais profundo: o que cada computador faz, a um nível, é copiar. Reproduz informação de uma parte da memória para outro, da memória para o disco rígido e de volta para a memória, da memória para vídeo e assim por diante. A própria Internet também trabalha copiando: os dados transmitidos são geralmente divididos em "pacotes" que são então copiados e recopiados de computador para computador na Internet até que as cópias de todos os pacotes alcançam o computador de destino e são reunidas em uma cópia perfeita da informação transmitida. Rearquitetar as tecnologias básicas do computador para limitar a cópia generalizada, ou policiar a reprodução, arrisca afetar a funcionalidade fundamental dos computadores o que afetaria sua utilidade essencial para indivíduos e para indústria.

III. Problemas para o Congresso

Por várias razões -- benefícios percebidos pelo público, uso mais eficiente do espectro de radiodifusão, emissoras de melhor qualidade, e assim por diante -- o Congresso determinou a transição da televisão analógica para digital.

Complicando, o Governo Federal estabeleceu o ano 2006 como prazo final para a transição, presumindo que na ocasião o público já terá visto o valor da DTV (particularmente a televisão de alta definição, HDTV, mas também outras características da DTV) e comprado aparelhos com receptores digitais para aproveitar estas características. Simplificando o assunto por um momento podemos dizer que o Congresso "emprestou" espectro extra para as emissoras desenvolverem a DTV (e a audiência de DTV), mas o "empréstimo" não conquistou o número de consumidores esperado.

Aumentando mais o problema, o Congresso baseou suas decisões sobre impostos e orçamento para os próximos anos na suposição de que o "espectro analógico" seria devolvido, e então poderia ser alocado para propósitos de serviço público (por exemplo, uso sem licença ou bandas de segurança pública) como também leiloado para adquirir renda (por exemplo, para implementação de cadeias 3G ou WiFi), talvez com a última gerando bilhões de dólares de renda para o governo.

Ao aproximarmos do prazo final, porém, é cada dia mais evidente a falta de compra pelos consumidores dos (relativamente caros) receptores de DTV. Com isso o Congresso enfrenta a possibilidade de revelar aos eleitores que suas televisões analógicas--inclusive as novas e grandes que eles comprarem este ano ou ano que vem--serão completamente obsoletas, ou exigirão a compra de algum tipo de conversor para continuar trabalhando. Não há qualquer dúvida que os eleitores ficarão infelizes se tiverem que comprar televisões novas, mais caras ou adaptadores mesmo que um pouco menos caros, só porque o Congresso os obriga. (um péssimo efeito colateral do conversor é que adaptando dispositivos antigos para receber radiodifusões digitais o governo pode com efeito estar possibilitando a equipamentos domésticos a facilidade de cometer o mesmo tipo de infração "de buraco analógico" que profundamente aborrece companhias de conteúdo. Conversores transformarão certos tipos de conteúdo digital de alta qualidade em conteúdo analógico razoavelmente de alta qualidade, e tal conteúdo pode ser em última instância redigitalizado e distribuído de graça pela Internet e outros lugares. Assim, parte da solução do Congresso para o problema de transição pode de fato aumentar as preocupações dos acionistas de empresas produtoras de conteúdo).

Mas as alternativas ao prazo final para a devolução do espectro analógico tem seus próprios problemas -- empurrar a data de transição para depois (ou permitir que as emissoras adiem o procedimento pois podem reivindicar legalmente que nenhuma delas alcançou os 85% de audiência da DTV requerida pelo mandato federal e assim é permitida a demora de acordo com o mandato) altera o orçamento e os cálculos de imposto, e forçaria uma queda de renda, o que forçaria o Congresso a tomar outras decisões duras que também podem irritar ou desapontar os eleitores de outros modos. (Coincidentemente, o Congresso também tentou promover a adoção da banda larga nos serviços de Internet. A exemplo da televisão digital, a resposta dos consumidores não foi tão rápida quanto o esperado -- vários líderes do Congresso culparam a falta de conteúdo interessante como uma causa do tão lento crescimento de usuários da banda larga. Para a maioria dos consumidores atuais que usam e-mail e serviços básicos da Web, os modems de 56KB continuam sendo o bastante. A promoção da banda larga está ligada à promoção da DTV, como nós veremos abaixo.)

IV. Problemas da indústria eletrônica

Racionalmente, o setor eletrônico (consumer-electronics, CE) gosta de vender televisões de alta margem, qualidade e resolução, mas sabe que quase toda sua base de clientes para vendas atuais de televisões digitais obtêm seu conteúdo de cabo, satélite, ou DVD, e raramente diretamente de radiodifusão digital.

Leis sobre receptores (como recente mandato do FCC) significam despesa extra em uma base unitária de cada vez, quando a indústria de eletrônicos estava esperando que economias de escala reduzissem o valor por unidade e mais compradores entrariam nas lojas atrás de televisões com imagens mais claras ou mesmo "qualidade de cinema". É válido mencionar que as companhias de eletrônicos têm agora um incentivo para passar completamente ao negócio de computadores e monitores e abandonar as vendas de aparelhos de televisão (monitores e receptores). Isto lhes permitiria escapar do mandato de receptor (eles poderiam vender receptores modulares mais baratos, mas talvez só uma pequena fração de americanos os compraria) e continuar vendendo monitores de alta qualidade que funcionariam igualmente bem em computadores ou como parte de sistemas de entretenimento domésticos ligados, por exemplo, a caixas de cabo.

Complicando a questão de requerer receptores de televisões digitais, há um problema que nem mesmo começou a ser discutido: testes de televisões equipadas com receptores digitais sugerem que a recepção digital não é tão fidedigna quanto a analógica, possivelmente devido a falta de robustez do padrão de transmissão 8VSB (interferência de múltiplos caminhos tende a matar completamente a recepção, considerando que em receptores analógicos apenas causam tolerável estática ou "fantasmas"). O New York Times informou o seguinte em 12 de setembro de 2002: "Em testes de recepção do 64º andar de um arranha-céu de Nova Iorque que usa uma antena de orelhas de coelho, Sr. Schubin e seus colegas só pegaram três das nove estações digitais que estavam então transmitindo na área de Nova Iorque." Experimentos em outras cidades têm mostrado semelhantes problemas de funcionalidade. Dado esta insegurança de recepção de radiodifusão digital baseado no padrão 8VSB, o estudioso Thomas Hazlett do Manhattan Institute sugeriu, parcialmente sério, que simplesmente seria mais barato exigir que os espectadores pretendam que podem receber radiodifusões de televisão digitais.

Resumindo, o FCC está atualmente ordenando despesa dupla para receptores duais, mas os receptores digitais podem não trabalhar tão bem quanto os receptores analógicos. Isto não é o tipo de decisão de política industrial que inspira a confiança do consumidor e a vontade de comprar novos aparelhos de televisão. Pode até provocar uma queda da confiança que seriamente dificultaria as vendas de produtos eletrônicos. Pior, alguns eleitores podem decidir culpar as políticas governamentais por sua decepção nesta área.

V. Problemas para Consumidores

Vai ser difícil persuadir os consumidores de televisão comum da necessidade de ter que abandonar ou então pagar conversores para seus receptores de televisão analógicos que funcionam perfeitamente. Já foi demonstrado efetivamente que os consumidores ainda não estimam os benefícios propostos pela DTV o bastante para investir seriamente em equipamento novo, excluindo um subconjunto pequeno de consumidores que prefere a televisão digital para assistir a DVD ou TV a cabo por satélite.

Esses consumidores que não aderem às TVs a cabo ou satélite, mas que confiam principalmente em sinais enviados pelo ar, podem achar que seu novo aparelho de televisão digital recebe conteúdo com menor qualidade do que seu velho aparelho analógico (veja, por exemplo, a discussão sobre o problema de interferência de múltiplos caminhos na Seção IV acima). É provável que este "atraso" na confiabilidade de recepção compelido pelo governo faça infeliz um número significante de eleitores.

Também deve ser notado que os esforços para controlar dispositivos analógicos de interface, gravadores e monitores para assegurar a efetividade da bandeira da emissora ou outros "esquemas de marcação", pode acabar com o sistema de ligações entre dispositivos eletrônicos, uma interação que todo cliente espera.

VI. Problemas para as emissoras

As emissoras não estão enfrentando apenas o problema de as transmissões em 8VSB atualmente serem menos confiáveis que radiodifusões analógicas. Também enfrentam um problema pior: a conta para o "espectro emprestado" virá logo (mais precisamente, a data para o retorno do "espectro analógico" chegará). A data virá quando a transição está definida para acontecer. Mas baseado nas evidências disponíveis, a maioria dos telespectadores ainda não concordou com o valor da DTV. Se a transição fosse imposta pelo Congresso ou pelo FCC na data marcada, haveria um abrupto declínio de publicidade para as emissoras (especialmente se comparado à base de audiência para TVs a cabo ou satélite que não serão afetadas pelo declínio em audiência das emissoras e provavelmente aproveitarão a oportunidade e agarrarão alguma ou toda audiência afetada).

Além disso, os custos geralmente altos de reajuste nas plantas das emissoras para habilitar a DTV é, para muitas, uma "medida sem fundamento" -despesas que elas como licenciados são obrigadas por lei a fazer (e podem já ter começado a fazer), mas que não geram (pelo menos até agora) renda adicional.

Historicamente, um argumento para promover a transição para DTV foi auxiliar as emissoras na competição contra o até agora mais fidedigno sinal e capacidades de multi canais da TV a cabo e por satélite. Seria irônico se uma política projetada para alcançar a meta de preservar a tradição de transmissão grátis de conteúdo (subsidiada, claro, pelos anunciantes) de fato acelerar o fim desta tradição.

VII. O que é o jeito Harry Potter?

Este artigo não pretende tocar os problemas puramente políticos que devem ser superados para tratar dos problemas técnicos e econômicos associados à transição obrigatória para a televisão digital. Ao invés, seu propósito é sugerir soluções "fora da caixa de sugestões", a "solução mágica" onde, a despeito da política e complexidade de regulamentação da DTV, proteção do conteúdo e afins, Harry Potter (sob nossa direção) usa sua varinha mágica, diz um feitiço e satisfaz todas as exigências principais de todos grupos envolvidos.

Nós começamos com três passos básicos.

Primeiro Passo: O Congresso fixa o prazo final para a devolução de espectro extra em 2006, mas permite que as transmissoras escolham qual espectro devolverão; isto é, elas podem ficar com o antigo espectro analógico ou com o novo digital, mas têm que devolver pelo menos um, uma possível exceção será explicada abaixo. (neste passo admite-se em prol da simplicidade que o espectro seja cambiável, a implantação real da devolução será um pouco mais complicada devido às questões de distribuição técnica, mas comparada à situação atual dos negócios, a distribuição da devolução é relativamente direta).

Segundo passo: Permitir às transmissoras que continuem usando a TV de transmissão analógica se desejarem. (Algumas podem escolher continuar experimentando as digitais, mas aquelas que se baseiam em publicidade desejarão a maior audiência possível, e o maior número de espectadores divididos entre estes sinais receptores de transmissão já estão fazendo o mesmo com o que restou dos receptores analógicos que continuam sendo muito mais vendidos que os receptores de DTV até hoje.) Emissoras que queiram manter a transmissão analógica ou experimentar com a digital poderão comprar espectros adicionais para este fim, pois haverá mais à disposição já que os espectros "emprestados" foram reclamados pelo governo. Todos as transmissoras que continuarem a difundir os sinais digitais poderão escolher entre o padrão 8VSB ou qualquer outro padrão que funcione efetivamente (por exemplo, o padrão COFDM predominante na Europa atualmente).

Terceiro passo: Como uma condição para continuar mantendo suas licenças, o FCC deve requerer que toda programação do horário nobre e da madrugada das redes nacionais seja difundida na Internet, e todas emissoras façam o mesmo com sua programação local. Claro que a transmissão de conteúdo criativo licenciado das produtoras de TV e cinema, irá necessariamente inquietar os donos de seus direitos autorais, tal preocupação, neste momento, é a base principal da inserção de novas propostas de regulamentação como a marca de segurança de transmissão; assim o FCC também tem que permitir às empresas licenciadoras que insistam com as licenciadas para que a transmissão de conteúdo autorizado seja feita por um ou mais sistemas de transmissão atuais de multimídia digital que são mais seguros, à escolha da emissora; como por exemplo, RealPlayer, QuickTime Streaming Vídeo, Windows Mídia Player, ou um dos vários projetos baseados no Palladium que serão organizados logo. Todos estes sistemas, e ainda vários outros, oferecem uma transmissão razoavelmente segura que previne todos, menos os mais determinados espectadores, de fazer cópias sem autorização . (Eles não são totalmente "à prova de hackers" mas têm o mesmo grau de funcionalidade das marcas de segurança de transmissão propostas e outros tipos de marcação. Em termos puramente práticos, pode-se dizer que oferecem maior proteção por dólar do que os outros métodos de marcação; em parte porque o seu custo de implantação é menor.) É claro que as transmissoras também podem escolher transmitir alguns dos seus próprios programas, talvez com publicidade subsidiada e programação originada no próprio local, e também podem haver exemplos nos quais os proprietários dos direitos autorais queiram autorizar ou até mesmo encorajar as emissoras a transmitir, sem nenhum problema, alguns de seus programas.

VIII. Quais são as Vantagens dos Feitiços de Harry?

1) Primeiramente, considere as vantagens para as Produtoras de Conteúdo neste sistema de transmissão segura: já existe a competição no mercado neste setor, e muitos participantes importantes como a Real Networks, Microsoft e Apple. A existência de uma competição de mercado genuína na área de transmissão segura na Internet irá necessariamente ser mais protecionista com relação aos direitos autorais do que qualquer outra lei governamental poderia ser. Isto porque o mercado guiado pelas resoluções da DRM (digital rights management - gestão de direitos digitais) podem desenvolver-se mais e responder mais rapidamente aos novos problemas relativos à segurança de direito autorais, etc. Embora por razões antitrustes o FCC não gostaria de permitir que as empresas licenciadoras ditassem qual dos sistemas competitivos deveria ser usado (porque isso permitiria que elas obtivessem vantagens em seus interesses de direitos autorais sobre o comércio em áreas fora de sua abrangência), entretanto, seria possível o FCC permitir que as licenciadoras insistam que as licenciadas selecionem um sistema (seja ele um codec, DRM, mídia player ou outro componente) que satisfaça padrões específicos e mínimos de segurança e tecnologia.

2) Existe ainda outra vantagem: a transmissão de conteúdo seguro e de alta qualidade na Internet dá maiores chances de que os americanos conheçam a qualidade da HDTV, e outras ofertas de DTV de alta qualidade. Recentes estatísticas sugerem que o uso de PC em casas americanas se aproxima ao uso do cabo, aproximadamente 70 por cento. Os monitores PC atuais, incluindo os monitores analógicos, são excelentes dispositivos de exibição DTV (e até HDTV), pelo menos para DVD atualmente. Ofertas de DTV pela Internet podem estimular ainda mais a demanda por dispositivos de "qualidade de cinema".

Nota: Este plano leva em conta que até mesmo as conexões domésticas de banda larga da Internet iriam requerer muitas horas de download para transmitir a televisão digital, até mesmo se admitirmos que o conteúdo do DTV é de simplesmente 480p (qualidade DVD). O verdadeiro HDTV com 720p, por exemplo, ou 1080i; iriam precisar de mais tempo ainda para carregar (mesmo com a seleção de otimização, levaria aproximadamente 19 horas de download por cada hora do conteúdo do 1080i , e 14 horas de download por uma hora do conteúdo de 720p; dobre o tempo desse download se for um filme de duas horas). Certamente esta é a explicação atual para a ausência de qualquer grau significante de infração na área de HDTV na Internet, até mesmo em sites de banda larga, como os de instituições de pesquisa e universidades, embora já existam dispositivos usados por consumidores capazes de gravar HDTV em seus computadores.
(Veja , por exemplo as seguintes URLs:
http://www.projectorexpert.com/Pages/tvcards.html http://www.digitalconnection.com/Products/Video/hipix.htm

Algumas companhias de conteúdo, como a CBS, já fornecem conteúdo original, inclusive de entretenimento, agora em um formato de HDTV desprotegido. Elas reconhecem que a marcação de segurança de transmissão, e outras soluções de "marcação" para proteger a alta qualidade da televisão digital, são medidas "antecipatórias". Quer dizer, eles não estão direcionando um problema atual de infração de conteúdo original de HDTV (e nem mesmo de conteúdo digital de 480p que leva quatro horas, ou mais, para carregar por cada hora de conteúdo), mas ao invés disso, se preocupam com um problema que eles acreditam que surgirá quando a Internet de banda larga for ampliada.

Mas nós também sabemos que, para infratores pelo menos, esperar por horas até que um download esteja completo nunca foi um problema sério, até mesmo na Internet atual. Além disso, é amplamente aceito (embora não incontestado) que a Internet de banda larga nas casas provavelmente continuará a crescer nos próximos anos. Muitos dos primeiros usuários de Napster esperaram muito tempo ao transferir arquivos MP3 através de uma conexão via modem de 56Kb. O mesmo acontece agora com aqueles que carregam filmes e arquivos de TV (geralmente com perda de qualidade) através das atuais conexões de banda larga com assinaturas individuais .

A troca de arquivos nos mostra outro fato sobre os americanos em geral, a saber, temos que nos lembrar que as atuais programações "ao vivo" na televisão são cada vez menos importante para os americanos, o que explica, entre outras coisas, a larga utilização de videocassetes e PVR (Personal Video Recorder - gravador de vídeo pessoal) que permitem que eles utilizem seu tempo como desejarem. A atual Internet de banda larga provavelmente não conseguiria manter HDTV "ao vivo", exceto em raras ocasiões nas quais o tempo de download requereria a escolha de uma área da memória para armazenamento temporário e outros armazenamentos provisórios.

Mas podemos admitir que se houver uma demanda por transmissores de banda larga de DTV corretamente estimulada, teremos o tipo de infra-estrutura exigida para transmitir HDTV mais rapidamente, ou até em tempo real. A transferencia não simultânea dos programas mais procurados, provavelmente poderá ser facilitada por um "armazenamento temporário de dados" através dos servidores de Internet intermediários, e pode até mesmo passar a ser uma nova aplicação para a distribuição total de "colega para colega". (Para uma discussão de como um modelo assíncrono de distribuição de TCP/IP funcionaria, veja o artigo de Craig Birkmaier. Seria uma grande ironia se a funcionalidade da "troca de arquivos" na Internet, antes vista por muitos dos legisladores como um problema não mitigado, pudesse ser aproveitada para aumentar a distribuição de conteúdo comercial de um modo que beneficiaria financeiramente os produtores e distribuidores ainda que aumentasse o número de ofertas para o consumidor.)

Como é possível notar no início deste trabalho, a solução Harry Potter admite que possa estar correto o pensamento das Companhias de Conteúdo que acreditam poder existir a possibilidade de sérias infrações no conteúdo de HDTV disponível na Internet, apesar dos tamanhos de arquivo e das condições restritas de uso da banda larga, discutidas nessa subseção. Talvez a crença dessas empresas esteja baseada na antecipação de maiores e melhores provedores de banda larga que surgirão em breve.

Na verdade não existe banda larga o suficiente para permitir que a solução Harry Potter funcione, deduz-se então que também não exista banda larga suficiente para permitir pirataria do conteúdo de HDTV pela Internet. A "Lei de Exclusão Meio Termo" (NT: "ou é sim ou é não") se aplica aqui: se houver banda larga o suficiente para a infração, então haverá também o bastante para netcasting (NT: difusão pela internet). Alternativamente, se não houver banda larga adequada para netcasting, então também não haverá a ameaça de infração como descrito pelas empresas.

(3) Existe ainda outra vantagem, o setor Eletrônico ainda consegue vender monitores de alta qualidade (na verdade televisões sem sintonizadores), e poderão vender muito mais assim que os usuários descobrirem modos alternativos de acesso ao conteúdo da DTV. (Esta tendência aumentará se o setor estiver isento das leis de ajuste como parte de uma estratégia para usar a Internet para promover a DTV). O setor também pode, é claro, continuar vendendo dispositivos de exibição analógicos de alta qualidade. Monitores analógicos podem, em geral, ser usados em produções de alta qualidade de conteúdos originados digitalmente, na verdade, isto é o que muitos monitores de alta qualidade (freqüentemente dispositivos analógicos) já estão fazendo. (veja a discussão sobre gravação de HDTV na Nota da subseção anterior.)

(4) Uma vantagem maior para o consumidor: dentro deste projeto as transmissoras podem experimentar oferecer o "must-see" (NT: tem que ver, o melhor) da TV nos horários convenientes para os usuários, ou mais de uma vez, com anúncios que também podem ser vistos mais de uma vez, ou anúncios que podem ser mudados a cada dia com a mesma oferta de programa! Se o espectador estiver interessado, existe uma melhoria imediata na conveniência: Em vez de esperar até quinta-feira à noite para ver o episódio novo de "Friends", você clica no link de "Friends" na Web, a qualquer hora durante a semana na qual o episódio atual está sendo exibido. (Esta é apenas uma das possibilidades, pode haver muita experiência de variações neste tipo de oferta. Outra experiência pode ser a de dar aos espectadores uma escolha entre o conteúdo do horário nobre com publicidade e versões livres de anúncios, especiais para assinantes, na mesma programação, em outras palavras, um espectador poderia escolher tratar uma rede como se fosse a NBC ou como se fosse HBO.)

Talvez fosse possível até mesmo escolher assistir "Friends" segunda à noite ou quarta à noite, já que transmissão "ao vivo" é menos importante para muitos espectadores de TV, uma escolha antecipada permite que o programa seja armazenado temporariamente tanto no seu sistema quanto nos servidores que estejam próximos, prontos para o último clique que iniciará sua exibição.

Tal escolha poderia até ser mais importante para os espectadores do que as imagens de alta qualidade de HDTV. (Notamos que para 90 por cento dos americanos, 480p, o padrão de DVD, é a definição perfeita do conteúdo de vídeo digital, no próximo acordo, transmissões digitais podem ser principalmente no formato de DVD, com o aumento do uso do conteúdo de HDTV, haverá aumento tanto nas compras dos consumidores quanto na capacidade da banda larga. Um programa como "Friends" que é baseado no humor dos personagens, pode precisar de menos qualidade visual que a da verdadeira HDTV, do que, digamos, um netcast de "Lawrence da Arábia" ou "Ataque dos Clones").

IX. Como os consumidores se beneficiam?

A primeira vantagem e também a mais óbvia é esta: não haveria nenhuma necessidade de jogar fora televisões velhas que continuam a ter o antigo sistema de recepção analógico, a cabo, ou outros meios (talvez com o uso dos dispositivos programáveis como videocassete e TiVO).

Com relação às expectativas sobre as cópias, notamos em primeiro lugar, que os consumidores podem continuar a usar regularmente aparelhos que lhes permitam utilizar o tempo como quiserem (e outros usos legais de conteúdo comercial mas sem licença) como os Videocassete, Televisões, TiVOs, Replay TVs, eyeTVs, WinTVs, e outros dispositivos digitais e analógicos, inclusive dispositivos que gravem em PCs, enquanto houver transmissão analógica continuada. Talvez o mais importante a longo prazo é que o mercado competitivo entre os sistemas de transmissão seguros poderia oferecer, com o passar do tempo, o uso regular de equipamentos semelhantes aos da área totalmente digital, especialmente agora que nós revigoramos o mercado competitivo neste setor de sistema de transmissão. (Alternativamente, se os novos sistemas de transmissão não estiverem aptos a prover de forma adequada o uso regular, e outros usos legais mas sem licença, do conteúdo comercial de TV que recebe apoio do governo como se fosse um assunto de política pública, seria um motivo para maior regulamentação da FCC ou para outra intervenção do governo. Mas como um dos objetivos deste ensaio, começamos admitindo que a competição de mercado tenderá a se aproximar das expectativas do usuário por si mesma.)

Além de livrar os consumidores de ter que reinvestir seriamente em seus sistemas domésticos de entretenimento antes que estejam prontos para isto, esta proposta também promove o uso de DTV junto aos consumidores! Sobre a aceitação da DTV por parte dos consumidores neste sistema, os consumidores terão a crescente oportunidade de comparar, regularmente, as diferenças entre o conteúdo analógico e o da DTV, e fazer escolhas de investimento entre IT (NT: Information Technology - Tecnologia da Informação), CE, e conteúdo baseados no conhecimento real das diferenças.

A curto prazo, o investimento dos consumidores em equipamentos novos será principalmente em (a) computadores, os quais as famílias compram cada vez mais, (ou em melhorias e substituições), e (b) conexões de banda larga, as quais o Congresso tem tentado estimular a demanda com o objetivo de fundar uma infra-estrutura para desenvolvimento, entre outras coisas. (Os consumidores com computadores mais lentos provavelmente serão influenciados a comprar aqueles mais rápidos, na hipótese de que eles se interessem em receber transmissões de filmes completos através de seus PCs.

Consumidores com conexões mais lentas serão provavelmente influenciados a usar provedores de banda larga. Estes fatores podem ter o saudável efeito de revigorar o mercado de computadores pessoais e o crescimento da infra-estrutura da Internet, como também o estímulo ao uso da DTV. Devemos também observar que as famílias que compram as televisões tendem a utilizá-las por 10 anos ou mais, o que sabemos sobre os padrões de compradores de computador, sugere que os PCs são melhorados e/ou substituídos mais freqüentemente.)

X. E o setor de Tecnologia da Informação?

Quando varinha de Harry for usada o setor TI trabalhará sem ser interrompido por regulamentações sobre tecnologia pré estabelecidas pelo governo, e entrará de fato na competição de sistemas de transmissão segura. Computadores e softwares permanecem amplamente abertos para a exploração e inovação por parte das indústrias e dos indivíduos. O aumento na demanda de investimentos na infra estrutura de banda larga cria até mesmo uma plataforma "mais aberta" para novos tipos de produtos e serviços de banda larga.

E se os consumidores não gostarem de soluções particulares da DRM, eles podem "votar", passando a usar os sistemas de transmissão alternativos e mídia players, ou aderindo à transmissão de conteúdo analógico, ou escolhendo outros modos: talvez pedindo ao governo que faça intervenções e regulamentações na DRM. Já que a escolha do sistema de transmissão é deixada para as transmissoras (que podem, por sua vez, dar aos consumidores algumas escolhas entre os vários mídia players), espera-se que a competição por si só seja suficiente para incentivar a inovação contínua destes componentes fundamentais de transmissão, abaixando os preços enquanto melhora a facilidade do uso, quantidade de filmes, e a qualidade da gravação. (A competição pode ser o bastante: a avaliação dos consumidores sobre programas de proteção de cópia revolucionou a indústria de software nos anos oitenta por exemplo, o resultado foi que a maioria das empresas comerciais de software ou abandonaram a proteção de cópia ou desenvolveram programas de proteção, como a inscrição que era menos onerosa para os usuários comuns.)

XI. E o que as emissoras ganham?

As transmissoras que queiram continuar oferecendo sinal analógico aos seus usuários e ainda experimentar a transmissão digital de TV, e que já investiram também no desenvolvimento de sua infra-estrutura de banda larga poderão manter, digamos, uma porcentagem de "espectro emprestado" como um tipo de "recompensa" de boa fé. Estas emissoras podem continuar experimentando a oferta de transmissão digital, ou mesmo negociar sua concessão de espectro para recuperar os custos de investimento.

Transmissoras de TVs locais serão particularmente beneficiadas. Elas não só poderão preservar seus atuais usuários locais (não exigindo que eles abandonem suas velhas TVs e comprem outras mais novas e caras) como também poderão alcançar novos usuários ao redor do mundo. Isto tem a vantagem de ajudar a cumprir a tradição do FCC, existente há muito tempo, de promover a diversidade de programações; um programa local inovador tem o potencial para alcançar audiência nacional ou internacional. (Esta experiência já foi vivida pelas estações de rádio que transmitiram sua programação pela Internet). Em tempo, alcançar esta audiência maior significa mais dólares para radiodifusões patrocinadas pela publicidade.

XII. Qual a grande vantagem para o Congresso?

Em poucas palavras: Congresso desata o grande nó da transição para DTV. Alcança a meta de promover a transição para DTV mas sem gerar qualquer despesa nova para consumidores e sem expor a transmissão grátis (na verdade oferece modelos para transmissão grátis que sejam lucrativas). Esta política não só promove a emissão digital de conteúdo, mas também alia esta emissão a uma política que promove proteção do conteúdo por competição de mercado. (claro que as companhias produtoras de conteúdo também se beneficiarão da competição no DRM e mídia players) Finalmente, promove a compra da DTV e da banda larga dentro da mesma política consistente.

O desenvolvimento estacionado da DTV, inclusive a experimentação da HDTV, será impulsionado pela Internet através do mandato de 'netcasting' imposto às transmissoras licenciadas. O Congresso receberá seu "espectro emprestado" de volta e poderá leiloar a maior parte dele de acordo com os planos orçamentários, ao mesmo tempo que destina certas porções deste espectro para benefício do público, inclusive as novas possibilidades de colocar disponíveis faixas sem licença para uso público.

Em resumo: Todas partes envolvidas serão beneficiadas, e os consumidores serão incomodados o mínimo possível, ou nada, pela transição. Todos prisioneiros da transição para DTV serão libertos e provavelmente verão benefícios imediatos, devido à confiança do plano Harry nos sistemas de emissão existentes, proteções de conteúdo, infra-estrutura, e outras tecnologias. Será que a implementação do nosso plano de trabalho pela varinha mágica do Harry dará certo? Talvez, se nós liberarmos nossas imaginações o bastante para achar alternativas para a paralisação completa no zero a zero atual. Tenhamos esperança que não precisemos esperar até 2006 pela continuação.

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Gigi B. Sohn, Presidente, Public Knowledge,
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Mike Godwin, Conselheiro Superior de Tecnologia, Public Knowledge,
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Tradução:
Guilherme Barcellos

Sobre o escritor
Mike Godwin é Conselheiro Superior de Tecnologia da organização Public Knowledge, e autor do livro Cyber Rights