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Sindicação*: O Modelo Emergente de Negócios na Era da Internet
por Kevin Werbach

Não há dúvidas que a Internet está transformando as velhas regras de competição e estratégia. Mas quais são as novas regras? Muitas delas podem ser encontradas no conceito de sindicação, uma forma de fazer negócios originada no mundo do entretenimento que agora se expande para definir a estrutura do e-negócio. Na medida em que as companhias entrarem nas redes de sindicação, elas terão de repensar seus produtos, relações, e até mesmo suas capacidades essenciais.

Executivos têm muito a aprender com Jery Springer, apresentador de um programa de entrevistas – nada sobre a resolução de conflitos através da guerra com cadeiras, mas sobre a sindicação, o modo ideal de realizar negócios em uma economia de intensa informação ligada em rede.

Sindicação envolve a venda do mesmo produto para muitos consumidores, que se integram com outras ofertas e as redistribuem. A prática é rotineira no mundo do entretenimento. Estúdios de produção comercializam programas de TV tais como o Show de Jerry Springer para redes de emissoras e estações locais. Cartonistas comercializam tiras de quadrinhos para jornais e revistas. Colunistas comercializam artigos em várias frentes impressas e online. Consumidores de entretenimento – as pessoas assistindo TV ou lendo jornal - geralmente não conhecem as relações comerciais complexas e mutáveis que acontecem atrás das cenas. Mas sem a sindicação, a comunicação de massa dos Estados Unidos seria totalmente diferente da que conhecemos.

Esta prática tem sido rara em outras partes do mundo. Os recursos materiais fixos e a lenta troca de informação da economia industrial tornou difícil, senão impossível, a criação de redes fluidas que são essenciais para a sindicação. Mas isso está mudando com o surgimento da economia da informação. Redes flexíveis de negócios não estão se tronando apenas possíveis mas fundamentais. Como resultado, a sindicação está saindo da periferia para o centro dos negócios. Está emergindo como o princípio motor que organiza o e-negócio.

Embora poucas companhias líderes na Internet usem o termo “sindicação” para descrever o que fazem, a prática está geralmente no coração de seus modelos de negócios. Veja o E*Trade. Como outras companhias, o E*Trade oferece a seus clientes uma variedade de informação, incluindo notícias financeiras, cotações de bolsas, gráficos e pesquisas. Ela poderia desenvolver todo o conteúdo, mas seria proibitivamente caro e afastaria o E*Trade de seu negócio principal: adquirir e construir relações com seus clientes online. Ao invés disso, a companhia compra a maioria de seu conteúdo de provedores externos – Reuters e TheStreet.com para notícias, Bridge Information Systems para as cotações, BigCharts.com para os gráficos e assim por diante. Esses parceiros também vendem, ou sindicalizam, as mesmas informações para várias corretoras.

A E*Trade se distingue das competidoras não pelas informações que disponibiliza mas pela forma que mostra e pelos preços das informações. Assim como uma estação de televisão, ela está no negócio de agregar e distribuir conteúdo sindicado e providenciar outros serviços internos como a execução de comércio.

Na Web, diferente do mundo físico, a sindicação não se restringe à venda de conteúdo. Comércio também pode ser sindicado. Uma companhia pode, por exemplo, sindicar um sistema de compras e pagamentos para várias lojas online. Outra companhia pode sindicar uma plataforma logística. Outra pode sindicar detecção de fraudes e algoritmos contadores de crédito. Outra pode sindicar processos de recursos humanos. Em outras palavras, negócios podem ser criados a partir de componentes sindicados. A tão discutida “companhia virtual” pode se tornar uma realidade.

Sindicação é uma maneira de estruturar negócios radicalmente diferente de tudo o que já apareceu antes. Ela requer empreendedores e executivos que repensem as estratégias e reorganizem suas empresas para mudar o modo de interação com os clientes e outras companhias parceiras, e para abrirem o caminho para novos modelos de coleta de lucros e ganho de dividendos. Quem melhor entender a dinâmica da sindicação – quem conseguir se posicionar nos nódulos mais lucrativos das redes de sindicação – serão os vencedores da era da Internet.

 



* Sindicação = a venda do mesmo produto para diversos agentes de mídia, tais como:
estações de TV e rádio, revistas, jornais, Websites, etc...

Porque a Sindicação é Ideal para a Web:
A sindicação tem sido tradicionalmente rara no mundo dos negócios por três razões.

Primeiro, ela só funciona com bens de informação.
Porque a informação não é “consumida”, uma infinidade de pessoas pode usar a mesma informação. Este não é o caso de produtos físicos. Se eu vendo meu carro ou relógio, eu não posso vender os mesmos itens para outra pessoa. Como a maioria no mundo dos negócios está engajada na produção, transporte, e venda de bens materiais, a sindicação só existia nas margens da economia.

Segundo, ela necessita de modularidade.
Enquanto um produto sindicalizado pode ter valor considerável em si mesmo, geralmente não constitui um produto inteiro; é um pedaço de um todo maior. O show de rádio de Howard Stern atrai uma grande audiência, mas precisa estar combinado com vários outros programas para criar a programação da estação. As colunas de Dave Barry têm inúmeros leitores dedicados, mas precisam estar combinados com muitas outras peças para fazer um jornal. Na velha economia material, a modularidade era rara. As fronteiras entre produtos, cadeias de fornecedores, e companhias tendiam a ser claramente demarcadas e impermeáveis.

Terceiro, a sindicação requer muitos pontos independentes de distribuição.
Há pouco a ganhar em criar combinações diferentes e configurações de conteúdo se existe apenas um distribuidor, ou se todos distribuidores são controlados por um criador de conteúdo. Pense em Hollywood em seus primeiros tempos. Grandes estúdios como o MGM e o Warner Brothers não apenas produziam os filmes mas eram donos dos cinemas que exibiam os filmes. Já que o cinema do Warner Brothers só exibia seus filmes, havia pouco espaço para sindicação. Mas quando o governo dos E.U.A. quebrou esses arranjos em 1948 com as regras contra os monopólios, os estúdios e distribuidores se tornaram independentes dos cinemas. Daí a sindicação do entretenimento começou a florescer. Na maioria das indústrias, entretanto, ainda há poucas saídas, que geralmente mantém relações estritas com as companhias que criam os produtos que elas vendem.

Com a Internet, a informação, a modulagem, e a distribuição fragmentada não apenas se tornaram possíveis mas essenciais.
Tudo que circula na Internet vira informação. A arquitetura super ligada da Web é modular por natureza. E porque qualquer pessoa pode criar um Website, há literalmente milhões de pontos de distribuição para os usuários. Em tal ambiente é impossível escapar da sindicação.

Os Três Papéis da Sindicação

Tradicionalmente, as companhias têm se ligado em cadeias simples e lineares, começando com os produtores da matéria prima para as manufaturas para os distribuidores para os comerciantes. Na sindicação, as conexões entre as companhias proliferam. A rede substitui a cadeia como modelo organizador das relações comerciais. Dentro de uma rede sindicada existem três papéis que os negócios podem assumir. Produtores podem criar o conteúdo original. Sindicadores empacotam o conteúdo para a distribuição, geralmente integrando-os com conteúdo de outros produtores. Distribuidores levam o conteúdo até os consumidores. Uma empresa pode desempenhar um, dois ou até três papéis simultaneamente. Também pode mudar de uma para outra condição ao longo do tempo.

Aqui está um exemplo simples de uma rede de sindicação do comércio de mídia. Scott Adams, um produtor, desenha as tiras do quadrinho popular Dilbert. Ele vende a licença de comercialização para um sindicador, United Features, que junta com outras tirinhas e vende para uma variedade de publicações impressas. Um jornal, como o Washington Post, age como distribuidor ao imprimir os quadrinhos sindicados junto com artigos, fotografias, programações de televisão, anúncios e várias outras peças de conteúdo e entregar o pacote completo nas portas das casas dos leitores.

Agora vejamos como os papéis da sindicação estão emergindo na Internet:

Produtores. A Internet abre a categoria de produtores de duas maneiras. Ela expande a gama de conteúdo original que pode ser sindicalizado, e facilita a disseminação global deste conteúdo por qualquer companhia ou indivíduo. Tudo que pode existir como informação – desde produtos e serviços até processos de comércio e marcas de corporações – pode ser sindicalizado.

Sindicadores. Ao juntar conteúdos de variadas fontes e disponibilizá-los através de contratos e formatos padrões, os sindicadores liberam os distribuidores de ter que achar e negociar com dezenas ou centenas de diferentes produtores para conseguirem o conteúdo que desejam. Em outras palavras, sindicadores são uma forma de ‘infomediários’, coletando e embrulhando informação digital de modo a adicionar valor à informação. No mundo material, sindicadores solitários são raros fora do mundo do entretenimento, mas este modelo de negócio está se tornando cada vez mais proeminente na Net.

Distribuidores. Distribuidores são os negócios que interagem com os clientes. Eles usam a sindicação para reduzir os custos de aquisição de conteúdo e para aumentar o valor do que oferecem aos consumidores. E*Trade é um exemplo de distribuidor. Outro é Women.com, um destino online para mulheres. O pessoal da Women.com cria seu próprio conteúdo, que é então integrado com informação sindicalizada por parceiros como a ABC News e a revista Good Housekeeping. Women.com também oferece uma gama de serviços sindicados, incluindo contas de e-mail grátis do WhoWhere, uma subsidiária da Lycos, e previsões metereológicas da AccuWeather. Como distribuidora a Women.com tem como função organizar todo este material de uma forma atraente, irresistível e direcionada às visitantes de seu site.

Da Carência para a Abundância

A sindicação na Internet abre infinitas oportunidades para empreendedores, e oferece enorme liberdade para todas companhias. Ela permite que as empresas escolham onde querem concentrar seus esforços e formar parcerias com uma miríade de outras empresas para gerenciar outras funções do negócio e assim prover um serviço completo. Diferente da terceirização, ela não restringe a flexibilidade. As relações de sindicação podem mudar rapidamente – a cada segundo, na verdade – e as companhias podem mudar rapidamente de papéis. (Veja o quadro lateral “Além da Terceirização”.) Mas porque as redes de sindicação são tão complexas, também apresentam uma série de desafios.

Para se ter uma idéia de como é uma rede de sindicação, veja a Motley Fool, uma companhia online popular que oferece informação financeira para investidores. A Motley Fool atua nos três papéis da sindicação ao mesmo tempo. Ela produz conteúdo, usado seu próprio Website e no seu site da America Online, e que também oferece através de sindicadores como a iSyndicate. Ela atua como um sindicador, provendo comentários sobre as bolsas de valores em vários formatos para sites tipo Yahoo! e o SiliconValley.com da San Jose Mercury News, assim como para 150 jornais impressos e 100 estações de rádio. Também distribui estórias sindicalizadas sobre negócios provindas de cadeias de notícias como a Reuters e aplicações financeiras sindicalizadas da CalcBuilder.com da FinanCenter.

A um nível operacional, a Motley Fool é extremamente complicada. Os vários elementos de conteúdo que fluem entre ela e seus parceiros são atualizados de acordo com esquemas diferentes e estão sujeitos a regras de mercado diferentes que governam como o material pode ser usado e como os pagamentos são distribuídos. Em alguns casos, a Motley Fool ganha com taxas de licenciamento; em outros casos, ela recebe uma comissão sobre os anúncios de outros sites que mostram seu conteúdo; e ainda em outros casos recebe uma parte das receitas advindas das transações. Felizmente, contudo, o fluir do conteúdo, as regras de negócio e os fluxos de receita podem ser amplamente gerenciados através de softwares. Na medida em que você tem o código correto, o negócio roda tranqüilamente.

O maior desafio está no nível estratégico. Dada a imprevisibilidade e a constante mudança nos fluxos de receitas, lucros e competição na Web, as companhias precisam escolher seus lugares em uma rede de sindicação com cuidado, e precisam estar prontas para reconfigurar seus papéis e relações imediatamente. O mundo sindicalizado da Web é radicalmente diferente do mundo de negócios tradicional, onde os recursos tendem a ser fixos e os papéis e relações estáveis. Para vencer em uma rede sindicalizada, os executivos primeiro têm de jogar fora muitas crenças antigas sobre estratégia comercial. (Para mais informação sobre essas diferenças, veja o quadro “Tudo Muda”)

Ao escolher a estratégia, as companhias têm sempre de tentar organizar seus mercados para se posicionarem no lugar de ouro da cadeia de valores – o lugar onde os maiores lucros residem. Tradicionalmente, o jeito de se fazer isso é aproveitar ou criar carência. Controle sobre um recurso escasso sempre é mais valioso que controlar algum luxo. Procter & Gamble está constantemente lançando novos produtos e extensões de produtos porque deseja maximizar seu controle sobre o limitado espaço das prateleiras dos supermercados. Home Depot procura esmagar as pequenas lojas de material de construção pois deseja ser o único lugar onde as pessoas vão para comprar serrotes e acabamentos para banheiro. Outras companhias tentam dominar a fonte de suprimento, para patentear um produto, ou estabelecer controle sobre algum recurso escasso.

A Internet, de outro modo, troca escassez por abundância. Informação pode ser multiplicada um número infinito de vezes. Também pode ser reformulada e rearranjada em infinitas combinações. E pode ser enviada para todos os lugares todo o tempo. Não há limites nas prateleiras da Net, toda loja é acessível em qualquer comprador, as filas de suprimentos e distribuição estão bem abertas, e mesmo a menor companhia pode atingir degraus elevados em um tempo bem curto. Porque os obstáculos de inventário material e lugar não estão presentes, criar e manter carências não é uma opção.

Pelo contrário, estratégias inteligentes têm de ser criadas para beneficiar a abundância. As companhias precisam, em outras palavras, procurar e ocupar os nichos mais valiosos nas redes de sindicação – que acabam sendo a maximização do número e da força das conexões da empresa com outras empresas e com os clientes. E porque estas ligações estão mudando constantemente, mesmo o negócio mais bem sucedido não conseguirá ficar parado por muito tempo.

A Estratégia de Sindicação da Amazon

As manobras da Amazon.com podem ser melhor entendidas através das lentes da estratégia de sindicação. Jef Bezos, o fundador e CEO (NT: Chief Executive Office = Presidente ou Diretor Executivo), rapidamente estabeleceu sua inovadora empresa como líder online da distribuição de livros e informação sobre livros por capitalizar a abundância da Web: seu site podia oferecer uma seleção dramaticamente maior do que qualquer livraria no plano material. Mas já que a abundância da Web é aberta a todos que chegam, esta primeira vantagem não pôde ser sustentada por muito tempo. Outros livreiros online igualaram a seleção da Amazon, e os consumidores começaram a comparar os preços instantaneamente através de programas de busca. Apesar da Amazon ser a maior vendedora da Web, centenas de competidores estão a apenas um clique de distância. Se Bezos tivesse tentado manter o papel da Amazon como uma distribuidora, ele teria colocado sua empresa em uma batalha de preços sem fim e a perda de lucros, não importando quantos produtos diferentes ela distribuísse.

Mas a Amazon não ficou parada. Constantemente se reposicionou para jogar diferentes papéis na sindicação. Em 1996, por exemplo, ela lançou um programa de adesão agressivo chamado Amazon.com Associados. Ao invés de contar somente em atrair os clientes para seu site, a Amazon pode usar este programa para levar o site onde eles já estão. Mais de 400.000 sites estão afiliados e oferecem a seus próprios clientes links para fazerem compras na Amazon. Com efeito, a Amazon está sindicando sua loja para outros locais. Enquanto ela perde controle sobre as mercadorias e tem de pagar 5% ou 15% de comissões pelas receitas geradas pelos afiliados, os benefícios ultrapassam os custos por uma enorme margem. A Amazon se coloca na frente de mais consumidores em potencial do que poderia atrair diretamente, especialmente nas categorias onde os associados oferecem conteúdo especializado e organizam listas de produtos para públicos específicos. Além disso, torna centenas de milhares de não empregados em uma força de venda virtual, que nunca recebe pagamento até que uma venda seja realizada.

Mais recentemente, a Amazon assumiu um outro papel na sindicação. Através do seu programa zShops, ela agora abriga centenas de pequenos provedores de e-comércio em seu próprio site. Essas lojas ganham acesso aos 13 milhões de clientes da Amazon e suas sofisticadas ferramentas que simplificam o processo de compra online. Em troca, eles pagam uma taxa por cada item em suas listas e uma comissão entre 1,24% e 5% de cada venda efetuada. Além do crescimento da receita, a Amazon ganha mais navegadores interessados nos nichos das ofertas do zShops. A Amazon também começou a assinar a distribuição de maiores e-lojas tais como Drugstore.com ou Living.com, que oferecem produtos complementares aos seus. A Amazon recebe pagamentos e fundos destes parceiros em troca de espaço em seu site e também diminui as razões de seus clientes comprarem em outro lugar.

Ao atuar tanto de sindicadora como de distribuidora de comércio virtual, a Amazon está transformando a ausência de carência na Web em uma vantagem. O grande número de sites que os usuários visitam não são mais alternativas ao site da Amazon; eles são oportunidade para a Amazon ampliar sua presença – e seus lucros.

Repensando Capacidades Principais

A experiência da Amazon traz uma lição muito importante para todas companhias. Em um mundo sindicado, as capacidades principais não são mais segredos a serem guardados – são materiais para se comprar e vender. Uma das capacidades mais distintas da Amazon é seu sistema de pedidos. Ao invés de guardar esse sistema para si mesma – como a estratégia tradicional aconselharia – a Amazon usa a sindicação para vender essa capacidade tanto para as lojas quanto para os sites de conteúdo por toda Web. Ela não faz isso para competidores como a Barnesandnoble.com, a quem está processando por roubo de patente do seu sistema de pedido, mas mesmo essa distinção será deixada de lado no final quando os benefícios da sindicação multiplicarem-se. Em uma economia de carências, as capacidades principais são fontes de vantagem para o proprietário. Em uma economia de abundância, elas são o melhor produto. Se você tentar guarda-las secretamente, poderá ganhar a batalha comercial a curto prazo, mas seus competidores irão logo alcança-lo. Se você sindicaliza-las, poderá transformar os competidores em clientes.

Em alguns casos, os recursos sindicados são o bastante para gerar grandes receitas. Mas mesmo que não sejam, outros benefícios da sindicação podem ser significantes. Como a Amazon, as companhias podem usar a sindicação para ampliar sua distribuição de maneira eficiente. A sindicação também pode trazer informações sobre os padrões de consumo dos clientes, o que pode gerar reforço para certas marcas e itens. Todos esses são benefícios que as companhias tentavam gerar através do domínio de seus mercados e exercendo controle exclusivo da informação. Mas com a crescente dificuldade de guardar as vantagens competitivas – graças ao poder de nivelamento na economia da informação – a sindicação oferece uma rota superior para os mesmos benefícios.

Pense no que a Federal Express fez com seu sistema de localização de pacotes. A FedEx investiu uma grande quantidade de dinheiro para desenvolver tecnologias únicas e uma infra-estrutura para monitorar a localização de cada pacote que processa. Essa capacidade trouxe uma margem de vantagem sobre seus competidores. Agora, a FedEx está sindicando este sistema de várias formas. A companhia permite que os clientes acessem o sistema através de seu Website para checar o status de seus pacotes. Ela oferece ferramentas de software para que seus clientes corporativos possam automatizar a entrega e localização de pacotes usando seus próprios sistemas de computação. E ela permite que companhias online adaptem seu sistema de localização, integrando-o com suas próprias ofertas e distribuindo-o em seus próprios sites.

Alguém que peça flores através da Proflowers.com, por exemplo, pode checar o status da entrega diretamente no site da Proflowers. Por detrás da cena, é o aplicativo da FedEx perguntando ao banco de dados da FedEx, mas enquanto a FedEx só vê onde o pacote está, a Proflowers também informa, a partir de seu banco de dados, o que está na caixa e o que o cliente escreveu no cartão. A FedEx não cobra da Proflowers pelo uso da tecnologia; ela está, de modo bem real, dando uma de suas capacidades principais. O que ganha com isso? Muita coisa. Ao integrar sua tecnologia com o sistema de pedidos da Proflowers, ela dificulta o cliente a mudar de companhia de entrega. Ao ajudar a Proflowers na melhoria de seus serviços, ela assegura que mais pacotes com flores serão enviados pelos caminhões e aviões da FedEx. E ao incorporar sua marca ao site da Proflowers, ela divulga seus serviços e promove sua marca.

Ao aumentar o número de negócios que viram e-negócios, gerentes inteligentes em cada empresa acharão meios de usar a sindicação como a FedEx faz.

O Novo Formato de Negócio

Além de seu impacto nas estratégias e relações de cada companhia, a sindicação promete mudar a natureza do negócio. Na medida em que as organizações começarem a ser construídas a partir de componentes sindicalizados de várias outras organizações, o resultado será uma gama de relações sem começo, meio ou fim. As companhias poderão parecer as mesmas do ponto de vista dos clientes, mas por trás da cena elas estarão em um fluxo constante, misturando-se umas com as outras em redes sempre mutáveis. A mudança não ocorrerá de um dia para o outro, e é claro que sempre haverá funções e produtos não sindicáveis. Mas nas áreas em que a sindicação tomar conta, as companhias serão menos importantes do que as redes que as contém.

Na verdade, empresas irão constantemente produzir, sindicalizar e distribuir informação sem mesmo conhecer todos os participantes da rede. Um produtor pode, por exemplo, ter uma relação com apenas um sindicador, mas através desta relação ele poderá se beneficiar de contribuições de centenas ou até milhares de outras companhias. Enquanto cada participante mantém alguma forma de controle – escolhendo quais parceiros diretos no processo e decidindo quais regras serão incorporadas em suas transações de sindicação – nenhum participante terá controle de toda rede. Como qualquer sistema altamente complexo e adaptável, uma rede de sindicação eficiente se auto organizará e estará constantemente maximizando seu comportamento em resposta a um fluxo infinito de informação sobre as transações entre seus membros.

Sindicação pode não ser um modelo novo, mas ela ganha vida nova na Internet. Virtualmente todas empresas podem ganhar com a sindicação, geralmente de várias maneiras diferentes ao se verem como parte de um mundo maior e interconectado e não almejarem o controle exclusivo de cada etapa. As ferramentas e intermediários que facilitam a sindicação serão cada vez mais sofisticados. Mas já há várias redes de sindicação e muitos exemplos de estratégias bem sucedidas. Enquanto a economia da Internet continuar a crescer em importância, a sindicação crescerá junto como a infra-estrutura de negócios.

Tudo Muda

Negócios em um mundo sindicado têm pouca semelhança com seus predecessores industriais. Para obter sucesso, os executivos têm de mudar o jeito de pensar sobre quase todos os aspectos da estratégia e gerência.

 

Negócio Tradicional

Sindicação

Estrutura das Relações

Cadeias lineares de demanda e suprimento

Soltas, redes tipo Web

Papéis Corporativos

Fixos

Mudando constantemente

Valor Agregado

Dominado pela distribuição física

Dominado pela manipulação da informação

Foco Estratégico

Controle de recursos escassos

Nivelamento da abundância

Papel das Capacidades das Empresas

Fontes de vantagens a serem protegidas

Produtos a serem vendidos

Papel da Terceirização

Ganhar eficiência

Juntar empresas virtuais